Oi, pessoal! Eu resolvi passar a traduzir este site como estou fazendo com o Wordplayer, da dica número 1 em diante, em ordem (apesar de já ter postado aqui a tradução de algumas de forma aleatória; se quiser encontrá-las, basta procurar “Martell” no campo de pesquisa ao lado). Então esta é a dica nº 1 do site Script Secrets, do roteirista William C. Martell. O título original deste artigo (Emotion Pictures) é um trocadilho entre “motion pictures”= filmes de longa-metragem e “emotion”= emoção. Optei por esta adaptação aproximada para o português.
"Eu pensava que drama era quando os atores choravam. Mas drama é quando o público chora." - Frank Capra
O meu amigo John Hill (CONTRATADO PARA MATAR) chama os filmes de longas de EMOÇÃO porque as pessoas vão ao cinema para ter experiências emocionais. Elas querem sentir. Em nossas vidas diárias nós normalmente temos que conter nossas emoções – os filmes nos dão a chance de botar todas aquelas emoções para fora. Nosso trabalho como escritores é proporcionar ao público uma experiência emocional, seja medo por causa de um filme de terror, tristeza por causa de uma tragédia, romance por causa de uma história de amor, alegria e risadas por causa de uma comédia, animação por causa de um filme de ação. Nosso trabalho é criar essas emoções no público através de nossos roteiros.
Imagine três engrenagens: a primeira engrenagem move a segunda engrenagem que move a terceira. O roteirista é a primeira engrenagem, e nós usamos os nossos roteiros (segunda engrenagem) para mover o público (terceira engrenagem). Nós estamos tentando comover o público emocionalmente. Para fazê-los rir ou chorar ou sentar na beira de seus assentos ou cobrir os olhos com medo. Cada parte de nosso roteiro deve ser projetada para criar uma resposta emocional na plateia. Nós estamos no negócio de cinema de EMOÇÃO. Emoções são deliciosas.
Sem emoções nós acabaremos é com um daqueles chatos filmes de ciência do colégio, onde o narrador desanimado fala tediosamente sem parar. Aquelas coisas me botam para dormir. Você quer que o seu roteiro tenha essência, animação, faíscas. Grandes dramas, grandes emoções… mova aquela engrenagem do público tanto quanto você puder. Quando tudo dá errado em nossas vidas, não podemos simplesmente desabar e chorar, mesmo se quisermos. Não podemos gritar com o nosso chefe ou começar a cantar de repente ou professar amor eterno àquela gostosona da contabilidade. Temos que manter o controle emocional, por isso precisamos de uma válvula de escape – um lugar seguro para rir e chorar e ter medo e se vingar… e esse lugar é a sala de cinema. Uma das principais razões pelas quais as pessoas vão ao cinema é para se emocionar…
E é nosso trabalho fornecer essas emoções.
PEDRA DE ESTIMAÇÃO OU CACHORRO DE ESTIMAÇÃO?
Um filme (e qualquer forma de narração de histórias) é comunicação. Nós nos esforçamos para fazer o público se importar com o personagem, com a história se desenrolando, e SENTIR as emoções que os personagens sentem. Eu acredito que esse seja o principal critério ao se julgar um filme – ele me fez SENTIR? Eu estava emocionalmente envolvido com os personagens e suas lutas? Se um filme fracassa em me envolver, ele pode muitas atuações maravilhosas e/ou belas imagens, mas isso não é nada mais do que pornografia. Atuação pornô ou direção de fotografia pornô. Não é diferente de um filme de ação que é apenas um grande saco de cenas com dublês. Se eu não estou emocionalmente envolvido, o filme fracassou em um nível básico.
Um roteiro é como ter um animal de estimação. Quando eu era criança, eu tinha um cachorro, e aquele cachorro era o meu melhor amigo. Quando eu chegava da escola, ele estava me esperando no quintal dos fundos com um rabo abanando e uma bola de tênis babada. Ele sempre saltava para cima e lambia o meu rosto em saudação. Nós brincávamos e fazíamos caminhadas juntos, e quando eu andava na minha bicicleta, ele corria atrás de mim. Só olhar para o meu cachorro já me fazia sorrir. A maioria de vocês provavelmente já teve um animal de estimação em algum momento de sua vida, por isso tire um minuto para pensar sobre o seu relacionamento com seu animal de estimação…
Agora imagine que ele fosse uma pedra de estimação. Uma bela pedra, mas ainda assim uma pedra. Fria, sem emoção, morta. Imagine brincar no parque com a sua pedra. Imagine os sentimentos calorosos que surgem só de olhar para a sua pedra. Hmmm… sem sentimento nenhum, você diz? Por que isso? Você ainda é você, então por que um animal de estimação vivo mexe com as suas emoções, mas uma pedra o deixa frio?
Porque a pedra só fica lá, parada.
Você não quer escrever um roteiro que só fique lá, parado. Você quer que o seu roteiro seja vivo e excitante e emocional. Você quer que o seu roteiro tenha uma cauda abanando e pule no colo do público. Você quer criar roteiros que ativamente tragam emoções para o público. Claro, o público tem emoções, mas uma *pedra* não vai fazê-los sentir essas emoções.
IMPORTA-SE SE EU SENTIR ISSO?
O primeiro passo na criação de um roteiro emocional é perguntar qual emoção você quer que o público sinta com a sua história. Parece uma pergunta simples, mas você ficaria surpreso com quantas pessoas nunca pensaram no elemento emocional de suas histórias – e essa é a parte mais importante! Elas conhecem a história e os personagens, mas nunca pensaram em que tipo de experiência emocional a sua história poderia fornecer. O que estamos buscando é uma experiência emocional específica – não algumas emoções vagas ou todas as emoções sob o sol. O seu roteiro pode até nos fazer rir e chorar, mas vai fazer uma coisa mais do que a outra. Shakespeare escreveu comédias e tragédias, e, apesar do discurso de Shylock em O MERCADOR DE VENEZA ser sério e dramático, o resto da peça é uma comédia de travestismo. Embora Rosencranz e Guildenstern sejam brincalhões e engraçados em HAMLET, o resto da peça é uma história criminal tensa com um final trágico. Então descubra qual é a emoção primária que a sua história está explorando – você quer que o público ria? Você quer que eles chorem? Você quer que eles sintam medo ou tristeza ou arrependimento ou euforia ou animação ou…?
Uma vez que você saiba qual é a emoção primária, olhe a história geral (especialmente o final) e certifique-se de que a sua história está trabalhando para produzir aquelas emoções na plateia. Agora olhe cada cena de seu roteiro – ela são emocionais? Reescreva as cenas para um impacto emocional máximo. Dê ao público uma verdadeira malhação emocional! Queremos realmente mover aquela "engrenagem do público" e fazê-los gargalhar ou chorar ou gritar de medo ou alegria. Usando nosso roteiros e nossas habilidades de escrita, queremos fazer o leitor sentir alguma coisa.
Não importa se o personagem chora… mas se pudermos fazer um leitor chorar com a nossa escrita, podemos acabar fazendo uma venda!
Como você faz o leitor sentir? Continue por perto! Muitas das dicas aqui apresentam métodos para criar uma história emocional, cenas emocionais, e uma resposta emocional no leitor e no público de cinema. Nosso objetivo é fazer com que as pessoas sintam. Olhe para cada cena do seu roteiro: O que você quer que o público sinta?
Boa escrita pra você hoje! =)





