Este artigo foi escrito pelo roteirista Ben Magid, para o site ScriptShark / ScriptJournalBlog:
Terror é um gênero difícil e subvalorizado por muitos motivos. Primeiro, é difícil inventar novas maneiras de assustar o público, especialmente um versado em horror. As probabilidades são de que eles já viram tudo aquilo e sabem o que está por vir. O desafio consiste em romper com as convenções e regras, e mostrar coisas que sejam inesperadas. A outra questão que eu tenho em relação ao terror é a diferença entre o terror verdadeiro e sangue e tripas. É fácil enojar alguém, mas é incrivelmente difícil realmente assustar alguém.
Veja a diferença entre Jogos Mortais e algo tipo Sinais. O primeiro Jogos Mortais tinha um grande gancho para o filme e foi feito muito bem para um pequeno orçamento. Seu objetivo era perguntar ao público: “O que você está disposto a passar para viver?”, e levantou estas questões através da abordagem mais sangrenta de matar alguém ou cortar fora sua perna. Neste caso isso funcionou, principalmente por causa do ótimo conceito, ainda que os sustos em si fossem mais do tipo nojento. Do tipo que você se recusa a ver. Agora vamos dar uma olhada em Sinais, não é um filme perfeito, de modo algum, mas teve algumas cenas que realmente causaram impacto. Vamos focar na cena da festa de aniversário. Todo mundo se lembra dela, e eu lembro das pessoas gritando no cinema. Ela me assustou pra caramba. No final das contas, ela era muito simples: aumente o suspense e depois compense-o com o alienígena andando pelo beco, tudo captado por uma câmera de mão. Incrível cena.
O truque é criar expectativas ou, em outras palavras, suspense, e depois dar ao público algo que eles não estão esperando.
Eis um dilema estranho que se aplica a escrever roteiros de terror: muitas vezes, o que é assustador na página não fica assustador na tela, e vice-versa. É um efeito estranho, e a maioria dos produtores e executivos não compreende isso. Terror é muito sobre atmosfera e tom, e o quão bem um diretor consegue filmar a história.
Vamos dar uma olhada em alguns exemplos. Poltergeist, Alucinações do Passado e Aliens são bons. Uma das cenas mais assustadoras de todos os tempos é a cena do palhaço em Poltergeist, que ainda se mantém até hoje, e me assustou pra diabo quando eu vi o filme quando garoto. No entanto, quando você lê o roteiro, ela não é tão assustadora. O mesmo acontece com a cena em Aliens, quando eles descobrem que os alienígenas estão no teto, bem como a cena terrivelmente assustadora de Alucinações do Passado, quando ele vê a enfermeira com os tentáculos na junta, ou a cena da maca. Todos estes roteiros são magistralmente executados, mas tudo se resume ao tom, ao ritmo e à qualidade da direção.
Agora veja o lado oposto. Eu amo Steven King. Ninguém é melhor em escrever com atmosfera do que ele. No entanto, muitas de suas histórias de terror não se traduzem para a tela, porque elas não ficam tão assustadoras na mídia diferente. Exceto, talvez, pelo palhaço em It, que funcionou tão bem na minissérie quanto no livro, mas, na minha opinião, palhaços são sempre assustadores.
Portanto, como escritor, a melhor coisa que você pode fazer é não escrever demais o terror. Lembre-se das coisas que lhe assustavam quando criança – ir para o porão escuro, ou o que tem debaixo da sua cama. Mantenha-se fiel aos seus instintos primitivos, seja imaginativo, e você não vai errar.
Boa escrita apavorante pra você hoje! Muahahahahahahahahá!!!



