Dicas de Roteiro

10/11/2010

O Terror de Escrever Terror

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:26
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Este artigo foi escrito pelo roteirista Ben Magid, para o site ScriptShark / ScriptJournalBlog:

o_chamado

Terror é um gênero difícil e subvalorizado por muitos motivos. Primeiro, é difícil inventar novas maneiras de assustar o público, especialmente um versado em horror. As probabilidades são de que eles já viram tudo aquilo e sabem o que está por vir. O desafio consiste em romper com as convenções e regras, e mostrar coisas que sejam inesperadas. A outra questão que eu tenho em relação ao terror é a diferença entre o terror verdadeiro e sangue e tripas. É fácil enojar alguém, mas é incrivelmente difícil realmente assustar alguém.

Veja a diferença entre Jogos Mortais e algo tipo Sinais. O primeiro Jogos Mortais tinha um grande gancho para o filme e foi feito muito bem para um pequeno orçamento. Seu objetivo era perguntar ao público: “O que você está disposto a passar para viver?”, e levantou estas questões através da abordagem mais sangrenta de matar alguém ou cortar fora sua perna. Neste caso isso funcionou, principalmente por causa do ótimo conceito, ainda que os sustos em si fossem mais do tipo nojento. Do tipo que você se recusa a ver. Agora vamos dar uma olhada em Sinais, não é um filme perfeito, de modo algum, mas teve algumas cenas que realmente causaram impacto. Vamos focar na cena da festa de aniversário. Todo mundo se lembra dela, e eu lembro das pessoas gritando no cinema. Ela me assustou pra caramba. No final das contas, ela era muito simples: aumente o suspense e depois compense-o com o alienígena andando pelo beco, tudo captado por uma câmera de mão. Incrível cena.

O truque é criar expectativas ou, em outras palavras, suspense, e depois dar ao público algo que eles não estão esperando.

Eis um dilema estranho que se aplica a escrever roteiros de terror: muitas vezes, o que é assustador na página não fica assustador na tela, e vice-versa. É um efeito estranho, e a maioria dos produtores e executivos não compreende isso. Terror é muito sobre atmosfera e tom, e o quão bem um diretor consegue filmar a história.

Vamos dar uma olhada em alguns exemplos. Poltergeist, Alucinações do Passado e Aliens são bons. Uma das cenas mais assustadoras de todos os tempos é a cena do palhaço em Poltergeist, que ainda se mantém até hoje, e me assustou pra diabo quando eu vi o filme quando garoto. No entanto, quando você lê o roteiro, ela não é tão assustadora. O mesmo acontece com a cena em Aliens, quando eles descobrem que os alienígenas estão no teto, bem como a cena terrivelmente assustadora de Alucinações do Passado, quando ele vê a enfermeira com os tentáculos na junta, ou a cena da maca. Todos estes roteiros são magistralmente executados, mas tudo se resume ao tom, ao ritmo e à qualidade da direção.

Agora veja o lado oposto. Eu amo Steven King. Ninguém é melhor em escrever com atmosfera do que ele. No entanto, muitas de suas histórias de terror não se traduzem para a tela, porque elas não ficam tão assustadoras na mídia diferente. Exceto, talvez, pelo palhaço em It, que funcionou tão bem na minissérie quanto no livro, mas, na minha opinião, palhaços são sempre assustadores.

palhaço simpatico

Portanto, como escritor, a melhor coisa que você pode fazer é não escrever demais o terror. Lembre-se das coisas que lhe assustavam quando criança – ir para o porão escuro, ou o que tem debaixo da sua cama. Mantenha-se fiel aos seus instintos primitivos, seja imaginativo, e você não vai errar.

dormindo de conchinha

Boa escrita apavorante pra você hoje! Muahahahahahahahahá!!!Inté

A Bíblia do Roteirista – Parte 4

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 06:28
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Hoje temos a última parte sobre Cartas de Consulta tirada do livro de David Trottier, The Screenwriter’s Bible. Mas esta série continua, ainda teremos muito mais!

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O QUE NÃO INCLUIR NUMA CARTA DE CONSULTA

Pode ser difícil encontrar o fio da navalha entre profissionalismo e criatividade. E onde a auto-confiança e o entusiasmo terminam e a presunção e a insolência começam? Uma regra de ouro é perguntar a si mesmo: O que este agente ou produtor quer ouvir? Em outras palavras, tire o foco de você e do que você quer dizer, e entre na cabeça do agente ou produtor para quem você está escrevendo.

Aqui estão excertos de cinco pretendentes a roteiristas que não descobriram isso. Estes foram coletados pela roteirista Joni Sensel.

“Uma calorosa aventura romântica para dentro das mais profundas emoções humanas, girando ao redor do amor de uma pessoa por outra apesar das terríveis adversidades, com um toque de comédia, provando mais uma vez que o amor supera tudo… E, é claro, como todos os meus trabalhos, a história termina com um final assombroso e inesperado.”

Isto pode descrever uma dúzia de histórias. O problema aqui é que o personagem está contando ao invés de mostrar, e está focando mais no tema do que na história. Escreva a história, incluindo o final, e nós decidiremos se é calorosa e assombrosa.

“Eu tenho 22 anos. Eu espero que este seja o meu salto por sobre o “muro” e me dê acesso a uma indústria com problemas que pode usar os talentos que eu possuo para ajudá-la a alcançar o seu potencial. Cinema é a minha vida e eu odeio vê-lo nas mãos de pessoas incapazes.”

Não seja convencido, garoto.

“A sua agência me foi altamente recomendada pelo Sindicato dos Escritores. Eu incluí um conto que explica por que eu fui escolhido para ser um roteirista.”

E todos nós estamos morrendo para lê-lo. E, por favor, sem falsos elogios. Lembre-se das duas coisas que Linda Buzzell recomenda que não se faça: “Não seja chato nem desesperado” (do How To Make It In Hollywood).

“Jesus Cristo, o homem, e eu somos ambos empáticos. Eu sou deste jeito por causa de Y. O símbolo de Deus é um relógio. Eu gostaria de me encontrar com o Papa algum dia.”

Esta é a sua história ou as suas qualificações?

“… a questão epistemológica constante em relação à perplexa tentativa de explicar a natureza do ser e a realidade e as origens e estrutura do mundo… o conflito metafísico entre as leis naturais (Santo Agostinho) e o pragmatismo (Kant-Dewey-James) e a questão dos benefícios de mesclar com…”

Desculpe-me, por favor, mas eu só quero fazer um filme.

DEPOIS QUE A CARTA DE CONSULTA FOI ENVIADA

O próximo passo é avaliar as respostas à sua consulta. Metade ou mais pode nem responder. A maioria dos que realmente respondem o faz dentro de três semanas. Se você enviou a sua carta de consulta por fax, telefone daí uns dois dias. Se você enviou sua carta por correio, espere pelo menos uma semana ou mais para fazer o acompanhamento.

Geralmente uma resposta por telefone é positiva. A rejeição geralmente vem por correio. Nenhuma resposta geralmente significa não, apesar de que seja possível que a carta tenha sido extraviada. Se as rejeições se acumularem, então reavalie a sua carta de consulta e a sua história. Faça quaisquer mudanças necessárias. Então vá em frente e contate mais pretendentes.

Uma vez que um agente ou produtor responda positivamente à sua consulta, envie o seu roteiro com uma carta de apresentação que começa com uma variação de: “Como você requisitou, aqui está…” Não é necessário dizer muito mais na carta de apresentação.

O roteiro deve ser uma excelente cópia impressa do original. Envie-o por correio expresso com uma carta de apresentação e, se você desejar, inclua uma postagem para devolução. Está bem fazer uma entrega em pessoa, mas você provavelmente não terá a chance de encontrar com o agente ou produtor.

Pode levar até quatro meses para ouvir a resposta de um envio de roteiro. Espere pelo menos três semanas antes de seu primeiro acompanhamento. Tente uma vez toda semana (ou algo assim) depois disso. Seja agradavelmente persistente. Geralmente, a melhor hora para ligar é à tarde. Uma ligação na quinta ou na sexta-feira irá lembrar o agente de ter o roteiro lido no fim de semana.

Quando alguém diz: “Ligaremos para você”,  ou “Retornaremos para você”, a sua resposta será: “Ótimo! Posso ligar em uma semana?” Isso torna mais difícil para eles sumariamente dispensarem você.

Se o seu roteiro não foi lido lá pela sua terceira ou quarta ligação, então é hora de voltar-se para outro pretendente, mas antes que você o faça, tente conseguir a indicação de outro agente ou produtor. Tenha em mente que cada agente tem cerca de quinze a vinte clientes e é inundado com envios de roteiros, frequentemente mais de 100 por semana; e produtores são igualmente inundados. As coisas levam tempo, então seja paciente. (A carta de rejeição pode não ser honesta.) Peça uma cópia da análise crítica. Lembre-se, você está sempre criando contatos. Alguns dos seus melhores contatos futuros serão os contatos de hoje que lhe rejeitaram.

Sempre trate o assistente do produtor ou do agente como um ser humano. Decore seu nome. Trate-o com o mesmo respeito que você concederia ao agente, e não use a palavra “secretário(a)”. Você pode muito bem ter que vender para esta pessoa antes. De fato, é bem possível que o assistente seja a primeira e única pessoa a ler o seu roteiro.

Ninguém em Hollywood é um assistente para ser um assistente. Todo mundo está em seu caminho para o topo. Então pense no assistente como o seu amigo e cúmplice. Ele pode lhe contar como opera uma agência ou companhia produtora em particular. Você pode perguntar, por exemplo: “Quando eu devo esperar ouvir do Fulano de Tal?” Ou: “Quando eu devo ligar de volta?” Lembre-se de que apenas um não já é um não. Se um pretendente está ocupado demais para ler o seu trabalho agora, você pode perguntar: “Posso tentar voltar em alguns meses para ver se algo mudou?”

Deixe-me lembrá-lo de que durante este longo período de procura por um agente e venda do seu roteiro, você não deve parar de escrever. Uma vez que você tenha terminado um roteiro, tire uma semana de folga e então comece outro. As chances são de que você o termine antes do anterior ter sido vendido.

critique

“Então, o que você achou da minha história? Tenha em mente que eu não tive muito tempo de revisá-la e está realmente tosca e eu escrevi de uma tacada só e havia muito barulho vindo da construção ao lado e eu estava bêbada na hora. Mas pode ser honesto comigo… o que você achou da minha história?”

Boa escrita pra você hoje! :D

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