O roteirista e diretor Michael Radford tem um método pouco convencional de escrever roteiros. Para escrever o roteiro de As Divas de Blue Iguana (Dancing at the Blue Iguana – 2000), ele primeiro escolheu o elenco (ele já tinha alguma semente de idéia-mãe para começar). Durante cerca de 4 semanas ele trabalhou com cada ator e atriz em separado, fazendo uma série de exercícios de improvisação. O próprio elenco teve a idéia de que a história se passaria num clube de striptease, e cada um criou seu personagem e o passado pessoal dele. Também passaram a frequentar clubes de striptease do sudeste da Califórnia por dias e até semanas, para se familiarizar com o ambiente da história, o que aqui no Brasil chamamos de laboratório (não acho que os caras tenham reclamado deste laboratório!).
Exame de vista sacana (com duplo sentido!)
Um dos exercícios de improvisação do diretor era pedir que o ator ou atriz trouxesse um objeto e dissesse: “Isto pertence a Eddie”. E deveria contar uma história sobre o objeto (em relação a Eddie, ou seja, em terceira pessoa). Outro exercício era pedir que ligassem para casa (como o personagem) e conversassem com alguém sobre qualquer assunto. Isso traria mais elementos, daria mais informações sobre a vida e a personalidade do personagem. Ele também pedia que a personagem contasse um sonho que tivera, ou que mostrasse um artigo de revista ou jornal sobre um assunto de que gostasse muito. Tudo isso ajudava a definir os personagens.
Os atores e atrizes, após as quatro semanas trabalhando em separado, sem saber quem era o restante do elenco e o que eles estavam fazendo, foram apresentados uns aos outros pelo diretor, cada um representando seu devido personagem. Todos se surpreenderam com o resultado do conjunto. Durante uma semana todos trabalharam juntos, fazendo exercícios de improvisação em grupo para só então o diretor escrever o roteiro em si. “Foi uma sensação maravilhosa assistir ao crescimento deste filme”, diz o diretor. “O fantástico de fazer filmes é que você faz isso com outras pessoas. Eu realmente não gosto de trabalhar sozinho, me trancando num quarto. Eu sempre gosto de escrever com mais alguém. Criar e ter medo, o medo verdadeiro de acabar sem ter nada, é incrivelmente estimulante”, finaliza Radford.
Este tipo de escrita é mais prática para roteiristas-diretores, que têm mais liberdade de escolha e experiência com atores. Porém, nada lhe impede de fazer uma parceria com um diretor, ambos escolherem o elenco e vocês criarem e fazerem os exercícios juntos. O diretor lhe ajuda a trabalhar com os atores e você escreve o roteiro final. De qualquer modo, é uma boa idéia para quem não gosta de trabalhar sozinho.
Uma boa escrita pra você!




